Abrir um CNPJ? Fácil. Emitir nota? Tem vídeo no YouTube. Declarar imposto? É só baixar o programa da Receita e seguir o tutorial, certo?
Errado.
Muita gente cai na tentação de “tocar a contabilidade por conta própria”. E, de longe, pode até parecer uma forma de economizar. Mas, na prática, é como tentar operar o próprio apêndice com um canivete. Pode até dar certo… mas o risco de dar ruim é gigantesco.
A seguir, te mostro os 5 erros mais comuns de quem tenta cuidar da contabilidade por conta e o que isso pode custar.
1. Escolher o Regime Tributário Errado
Esse é o campeão de prejuízos silenciosos.
Muitos empresários escolhem o Simples Nacional sem saber que o Lucro Presumido seria mais vantajoso ou o contrário.
Resultado? Pagam imposto a mais todos os meses, achando que estão “seguindo as regras”.
Um contador especializado faz simulações antes de cada virada de ano-calendário. Já quem cuida sozinho, muitas vezes vai no chute… e o chute custa caro.
📌 Exemplo real: uma empresa de serviços que migrou do Simples para o Presumido com ajuda contábil economizou mais de R$ 18 mil ao ano.
2. Misturar Pessoa Física com Pessoa Jurídica
Esse aqui parece bobo, mas afunda muita gente:
usar o mesmo cartão para despesas pessoais e da empresa.
Vai no mercado? Usa o cartão PJ.
Compra um notebook para o filho? Passa pelo CNPJ.
No fim do mês? Bagunça generalizada na contabilidade e prejuízo na hora de deduzir despesas.
Sem separação entre as contas, não dá para organizar corretamente:
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o pró-labore
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a distribuição de lucros
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as deduções permitidas
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o controle do fluxo de caixa
💡 Regra de ouro: empresa é empresa. Pessoa física é pessoa física. Misturar as duas é pedir pra Receita bater à porta.
3. Declarar Impostos Errados (ou Não Declarar Nada)
“Ah, esqueci de entregar a DCTFweb esse mês, mas no próximo eu mando junto.”
Esse tipo de pensamento é perigoso.
O Fisco não aceita desculpas nem atrasos, ele aceita multas.
Erros como:
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não declarar o pró-labore
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não entregar obrigações acessórias
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calcular imposto sobre base errada
… tudo isso pode gerar autuações, juros, bloqueios no CNPJ e pasme, impedir você de emitir nota.
Sem falar no risco de cair na malha fina. A Receita cruza dados com inteligência artificial. Um erro no IRPF, por exemplo, e você entra direto no filtro de inconsistência.
4. Deixar Dinheiro na Mesa por Falta de Dedução
Quem faz contabilidade sozinho geralmente não sabe o que pode ou não pode ser deduzido.
Resultado? Despesas que poderiam reduzir o imposto pago simplesmente não são lançadas. O empresário paga mais do que deveria e nem percebe.
Alguns exemplos que costumam ser esquecidos:
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aluguel de sala comercial
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manutenção de equipamentos
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despesas com internet e telefone da empresa
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plano de saúde empresarial
Um bom contador organiza isso mensalmente, de forma categorizada e com base legal. Sem improviso. Sem risco.
5. Achar que Contador é Despesa
Esse é o maior erro de todos.
Tratar a contabilidade como um custo e não como um investimento estratégico impede o crescimento do negócio.
O contador não está ali só pra “apurar imposto”. Ele pode (e deve) ajudar você a:
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projetar o futuro financeiro da empresa
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entender seus custos
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simular cenários
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fazer a empresa crescer com segurança
O barato sai caro. E o amadorismo custa muito mais caro do que você imagina.
Conclusão: Contabilidade é Ferramenta de Crescimento, Não de Sobrevivência
Você não precisa entender de guias, declarações e tributos para empreender.
Mas precisa ter ao seu lado quem entenda e bem.
Fazer a contabilidade sozinho pode até parecer uma solução viável no início. Mas, com o tempo, os riscos superam qualquer economia aparente.
Se você quer crescer, precisa parar de apagar incêndio e começar a construir com base sólida. E a contabilidade é o alicerce disso.


